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Aracne
Adriana Affortunati

“ … Um olhar excessivamente formal, exclusivamente dirigido para as modalidades artísticas, reduziria o interesse de seu trabalho, circunscrevendo-o por atitudes compositivas, superficialmente pictóricas. O uso dos objetos não se reduz a relação nostálgica ou evasiva, cujos sentidos almejam uma a-historicidade, sobrevivência incorpórea, diáfana. Não. Os objetos buscam reviver tragédias e dores, traumas e emoções reais, espessas e concretamente presentes.

Qual categoria de objetos, afinal? Trapos, roupas rasgadas, restos, móveis e objetos decorativos incompletos, já velhos e decompostos. Objetos que guardam marcas do uso repetitivo, que denunciam um comportamento cotidiano (ou obsessivo).

 

“Repetição” em seu trabalho deve ser entendida como revivescência. Revive-se o sentimento de perda, a evidência de um tempo decorrido e a impossibilidade de restaurar as experiências passadas. Revive-se inúmeras tragédias anônimas, identidades que se perderam definitivamente.”

 

Renato Pera